Por que se enrolar?

Atualmente com 21 anos resolvi me enrolar novamente! Foram 9 anos alisando o cabelo, e eu já relaxava ele antes disso. Comecei a relaxar para “abrir os cachos” aos 7 anos (!!!), quando fiz 12 e idealizava o cabelo liso eu resolvi aderir a tal escova progressiva. Aderi e AMEI! Eu me sentia linda, as pessoas diziam que eu era mais bonita e minha auto estima ficou lá no alto.

Pra deixar bem claro: nunca foi uma pessoa que sofreu grandes traumas ou sofrimento pelo julgamento de outros. Pelo contrário sempre fui referência entre as pessoas que eu conhecia por ser muito bem resolvida comigo mesma e a incentivar outras meninas a fazerem o mesmo. Nunca tive problemas em me amar. Obvio que não sou perfeita, mas entendo que tenho muito mais qualidades e muito mais a festejar do que reclamar.

SIm, você é linda.

                                                      Sim, você é linda.

Meu cabelo nunca foi muito difícil de cuidar e ele aceitou muito bem a progressiva, então nunca fui muito escrava da chapinha, como alguma das minhas amigas. Mas como ele crescia muito eu sempre tinha que voltar pra retocar a raiz.

O que eu mais amava no cabelo liso era a facilidade. Eu acordo, levanto da cama e vou fazer o que preciso fazer sem me preocupar com o pentear o cabelo, com como ele vai acordar, se ele vai estar temperamental ou não. Pra mim isso era a maior qualidade

Só que quando fiz uns 17 anos, eu mudei um pouco meu pensamento e adquiri um discurso de “aceitar quem você é”, de usar menos maquiagem, de aceitar todas as curvas do seu corpo e de se amar acima de qualquer coisa. Nesse meu discurso eu sempre tendo pra ideia do: seja natural, sendo que eu comecei a me sentir meio “falsa”. Como eu podia dizer pras pessoas se aceitarem, se nem eu mesma me aceitava? Como eu poderia dizer pra elas aceitarem seu cabelo se eu jogava química no meu pra ele mudar? Eu não estava sendo “natural”, sabe? Comecei a me sentir estranha, mas segui alisando o cabelo e sendo contente.

No final de 2014 eu conheci o feminismo. Três pulinhos de viva para o movimento que salvou a minha vida! Melhorei muito como ser humano e como mulher. No feminismo nós, mulheres, lutamos por espaço pra sermos quem somos sem sermos julgadas por toda uma sociedade por isso. Temos muitas outras lutas, obviamente, mas o post é sobre aceitação e cabelo então puxei essa luta do movimento. No feminismo conheci algumas cacheadas e vi a força delas e as dificuldades que elas passavam por ter um cabelo que a maioria não tem. Ali percebi que algo não estava certo.

Aprendi a problematizar a questão do alisamento do cabelo de mulheres negras, e do eterno “embranquecimento” que fazemos com nós mesmas pra nos adequar a beleza que nos é imposta desde novas. E decidi me aceitar. Aceitei a beleza do meu cabelo natural, da minha beleza. Sim, demorou mas eu aceitei minha raiz e comecei a tal transição capilar. Antes tarde do que nunca, certo?

Hoje eu estou no 5º mês da transição e minha raiz já tem uns 4/5 dedos de crescido. Cada dia é uma batalha, cada dia é um novo dia pra aprender a me aceitar como eu sou, mas até agora essa batalha tem sido fácil. Mas tenho esse espacinho pra me abrir, e isso já é ótimo. No facebook existe o imenso grupo “cacheadas em transição” e ele é minha salvação nos dias que penso em desistir.

Já sofri muita chacota, a maioria pergunta o por quê de eu estar fazendo isso, outros apoiam e dizem que vou ficar mais linda ainda e tudo isso só me dá mais certeza de que to no caminho certo, e espero inspirar outras pessoas.

Pra quem ta nessa luta, não se deixe abater pelos dias difíceis. Nada é muito fácil, mas quando tivermos nossos cachos essa dificuldade aqui só terá sido uma fase como qualquer outra. FORÇA!

Força na transição, a gente consegue!

  Força na transição, a gente consegue!

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2 comentários

  1. Meio Enrolada · maio 1, 2015

    Transição é um período difícil mas bem recompensador. Aceitação é tudo!

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